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Tecnologia, Games e Saúde

Ainda continuando um pouco aquele pos sobre a tendência dos games… Me perguntaram há alguns dias qual a utilidade de minha pesquisa? Qual a contribuição que eu poderia dar ao mundo com os resultados? Eu achava que não era algo tão implícito assim. Buscar novas funcionalidades para a interação com o ciberespaço não me parecia algo tão aquém. As tecnologias sempre abrem leques de possibilidades. No caso dos jogos e simuladores, tenho visto grandes avanços. Estive em Maceió em novembro para apresentar um trabalho no encontro nacional da ABRAPSO e conheci pessoas bastante interessantes. Uma delas foi a Rosária Sperotto, da Universidade Federal de Pelotas, que apresentou um trabalho sobre as TICs como objetos de aprendizagem. Após as apresentações, numa conversa informal ela me contou de seu trabalho em ludoterapia em que usava video-games. Me contou também sobre uma dissertação defendida por meio do Second Life, pois o mestrando não poderia estar presente no momento. Estes são apenas alguns exemplos de como os ambientes virtuais, jogos, tecnologias vem sendo utilizadas. Acredito que estudos sobre estes usos poderiam melhorá-los ainda mais.

Com tantos ensinos à distância surgindo, e com simuladores cada dia mais modernos, há muito o que se explorar. O Second Life, por mais que eu não seja muito fã, sempre serve de exemplo. Tem ficado cada vez mais comum o e-learning, que é uma modalidade de ensino resultante da combinação entre aprendizagem por meio de tecnologia e educação a distância. Muitas universidades estão gastando dinheiro comprando um pedacinho de terra virtual. A escola de direito de Havard tem um Forum para os alunos praticarem suas habilidades em advocacia. As universidades de Oxford, Leicester, Edinburgh e muitas outras por aí já possuem seu terreno. No Brasil temos a USP, PUC-SP, Mackenzie, dentre outras. Algo que me chamou atenção foi o  Imperial College of London que construiu um hospital virtual para treinamento de seus estudantes de medicina. Segundo os idealizadores, está cada dia mais dificil formar médicos em ambientes reais. Quem quiser saber mais o site.  Aqui tem um vídeo também:

Jogos voltados para a saúde também estão ficando comuns. No Brasil já temos até empresas especializadas, como a Fisiogames de Floripa. Segundo eles, esse tipo de jogo pode ser usado na Medicina, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Serviço Social, Atividades Fisicas, Terapias Alternativas, Odontologia, Estética, etc. Bom ver os jogos deixando de ser vilões. Segue um vídeo pra ilustrar:

Outra boa aplicação da tecnologia e realidade virtual é o DETECT. Um dispositivo composto de óculos de RV, headphone e controle que pode detectar o mal de Alzheimer em dez minutos antes mesmo dos sintomas aparecerem. No processo o usuário passa por testes visuais e auditivos que avaliam capacidades como tempo de reação, memória, etc. Os resultados são comparados com escore padrão para a idade do paciente. Quem quiser ler mais, pode acessar o site dos desenvolvedores.

Enfim, são muitas coisas ocorrendo, coisas atuais. Seus efeitos e impactos dificilmente são percebidos. Segundo Nicolaci-da-Costa (2005), quando estamos em meio ao turbilhão da mudança, é útil termos um contraponto que nos distancie da nossa percepção imediata, a qual, nesses momentos, tende a ser confusa e muitas vezes enganadora.

NICOLACI-DA-COSTA, A. M. Primeiros contornos de uma nova configuração psíquica. In: Cad. CEDES, vol.25, n.65, pp. 71-85, 2005.

Há algum tempo resolvi formatar meu netbook para colocar o Windows 7 e o Ubuntu Remix. Na teoria estava tudo simples, porém, netbooks não possuem drive de CD. Aí veio a questão, como fazer um cartão SD ou pen drive (conhecidos como flashdrives) com boot* para instalar os novos sistemas, afinal, são as únicas mídias que eu teria acesso, já que não sou fã da idéia de comprar um drive de CD USB. Procurei vários tutoriais, cada um ensinando a coisa de uma maneira diferente, alguns cheios de programas para download que diziam fazer o processo automaticamente. Testei vários, cada um mais complicado que o outro, e nada resolvia. O netbook nunca dava boot pelo flashdrive. Por fim, juntei algumas informações e cheguei ao que acredito ser a maneira mais simples e rápida de fazer o processo. Vamos ao passo-a-passo:

O que vamos precisar:

  • Uma máquina rodando windows (versões mais recentes de preferência);
  • Um CD ou DVD com a instalação do sistema operacional a ser instalado;
  • Um flashdrive (cartão SD ou pendrive) que tenha tamanho suficiente para guardar todos os arquivos da instalação.

O processo:

  1. Coloque o flashdrive no PC rodando o windows
  2. Vá em Iniciar>Executar e digite cmd
  3. Na janela do prompt de comando que abrir digite diskmgmt.msc
  4. Na tela do gerenciador de disco, verifique qual o número de seu flashdrive, no nosso caso, vamos dizer por exemplo que seja o número 1
  5. Volte para a janela em que você digitou o comando anteriormente e digite:
  6. diskpart
  7. select disk 1
  8. clean
  9. create partition primary
  10. select partition 1
  11. active
  12. format fs=fat32
  13. assign
  14. exit
  15. Agora copie todo o conteúdo do CD/DVD de instalação para o flashdrive. Você pode copiar pelo próprio prompt digitando xcopy X:\*.* /s/e/f Y:\ onde X=a letra do drive de CD e Y= a letra do flashdrive.

E pronto, você tem um flashdrive com boot. Pra formatar e instalar na máquina de destino é só mudar as opções de boot para iniciar do flashdrive e seguir as instruções.

*Boot: é o processo que o computador faz ao ser ligado para carregar o sistema operacional é necessário para que a máquina funcione.

No início de Junho estive em Floripa pra apresentar um trabalho no SCGames. É incrível o quanto este tipo de evento me deixa à vontade. Eu sou um gamer, e me lembro de ser assim em minhas lembranças mais antigas, ainda do tempo do Atari. Nestes eventos de games as pessoas sempre estão falando de assuntos que eu gosto. Usam referências que em outros contextos seriam ininteligíveis. Tudo é direcionado para meu hobbie favorito: games! Lá encontram-se pessoas sérias, empresários, pesquisadores, desenvolvedores, gente que ganha a vida a partir dos jogos.

Enfim, voltando ao SCGames. Tive a oportunidade de assistir uma palestra com o empresário César Augusto Barbado, também produtor da Techfront. O tema da palestra era as diversas áreas a serem seguidas na criação de games, como é feita a interação entre elas, requisitos para atuar em cada uma, etc. Nesta palestra, o que mais me chamou atenção foi quando ele falou sobre imersão.

Citando um exemplo pessoal (fictício ou não) ele descreveu muito bem o conceito. Ele disse que um dia estava em casa jogando World of Warcraft quando sua esposa lhe pediu para colocar o lixo pra fora. Ele a ensinou rapidamente como movimentar o personagem e pediu que ela o levasse até um ponto do mapa. Poucos minutos depois quando ele retornou ela estava em cima da cadeira gritando “Eu vou morrer! Eu vou morrer!” enquando tentava fugir de um monstro que atacava o personagem. Segundo Barbado, isto mostra o quanto World of Warcraft é bom em matéria de imersão. Em pouco tempo já não era mais sua esposa que estava alí, e sim um personagem lutando por sua sobrevivência.

Fiquei pensando bastante nessa tal de imersão, e como era justamente o que os jogos que mais me agradam me proporcionam. Muito se fala sobre o realismo dos gráficos de hoje em dia, e a tentativa cada vez maior de melhorá-los. Porém eu acredito que há até pouco tempo a industria dos games acreditava que os gráficos realmente eram o principal elemento para a imersão do jogador no game, tanto que muito foi feito para se desenvolver gráficos cada vez mais reais. Atualmente os jogos visualmente beiram a perfeição, porém, este investimento em gráficos tem perdido suas forças. A industria de games tem visto que interação é justamente o que mais promove imersão.Um exemplo muito bom seria o Nintendo Wii, pra quem não conhece:

Com o sensor de movimento do controle já eram possíveis várias maneiras de interação. Inclusive a EA criou uma espécie de “personal trainer virtual”:

O sucesso do wii mostra que interação está em alta. Mesmo tendo a maioria dos jogos com gráficos inferiores se comparados ao XBox 360 e ao PS3, o Wii é campeão de vendas. Isto fez com que a Sony e a Microsoft buscassem meios de competir. A primeira está desenvolvendo o Motion Controller para o PS3, já a Microsoft está desenvolvendo o Project Natal.  Este último me causou espanto pela proposta. Diferente do Wii, que capta movimentos do controle, a proposta do Natal é de captar movimentos do próprio corpo, a partir de cameras colocadas na TV.

Como pode-se ver no vídeo, a taxa de resposta é bastante rápida, ampliando ainda mais as possibilidades que tínhamos com o Wii.

Agora, algo ainda mais interessante. Há alguns meses eu andei lendo sobre “Computação Afetiva”, um campo da inteligência artificial que pesquisa sobre emoções em computadores. A partir daí, podem surgir sistemas que reconheçam emoções do usuário, expressem ou simulem emoções. Lendo sobre este ramo da computação/psicologia eu imaginei que o caminho a ser percorrido seria longo e fui pesquisar um pouco mais. Pra minha surpresa, dentro do Natal da Microsoft encontrei a computação afetiva aplicada. No video a seguir vemos uma demonstração. Milo é um personagem, que a partir das cameras do Natal reconhece as emoções do usuário, e também é capaz de expressar emoções. Ele também é capaz de reconhecer vozes e rostos.

Imaginem as possibilidades de interação. Se tomarmos o exemplo dos algorítimos evolutivos (algo de que tratarei daqui um tempo), logo a computação não precisará programar cada reação do personagem, a própria inteligência artificial aprenderá a fazer suas próprias. Vejam que quando a mulher diz que está nervosa, Milo diz não acreditar. Enfim, é só uma provocação.

Social Games

Fiquei pasmo ontem ao ler esta reportagem da veja que dizia que mais de 60 milhões de pessoas jogam Farmville. Eu imaginava um número grande, mas nem tanto.

Para quem não conhece, Farmville é um jogo de simulação dentro do Facebook em que você constrói uma fazenda e interage com seus amigos. Como ele existem vários outros simuladores que são versões mais leves e atuais daqueles velhos joguinhos como Harvest Moon, The Sims, Theme Hospital, Sim City, etc. Ou então versões automáticas de jogos de RPG jogados por forum. Que simuladores são atrativos, não é novidade, mas por que será que estes chamados “social games” fazem tanto sucesso mesmo sendo tão limitados?

A meu ver, o segredo está na interação que eles têm online. Independente do tipo de jogo de simulação, depois de um tempo, mesmo que você construa um império, tudo vai perdendo a graça. Você não tem para quem mostrar, se exibir, competir, cooperar, nada. Por mais que seu progresso tenha sido enorme, ele se fecha ali. Nos social games ocorre algo diferente. Mesmo que você tenha a intenção de jogar casualmente, é inegável que as atitudes de seus amigos terão influências sobre você. No caso do Farmville, ao visitar as fazendas de amigos você vai ver o quanto o jogo pode ficar ainda mais legal, o quanto fulano está mais evoluido que você, o quanto beltrano está atrás, e assim por diante. Ver o progresso de seus amigos de alguma maneira te motiva progredir, afinal, hoje em dia ninguém quer ficar na desvantagem.

Outra coisa que observo nos social games é um elemento que causa grande adesão também nos MMORPG*, o mundo não espera por você. Nos jogos offline, por mais que esteja fissurado, você pode programar-se e jogar conforme seu passo. De maneira diferente, neste tipo de jogos online o mundo continua seu caminho independente de você estar nele ou não. Este fato acirra ainda mais o caráter competitivo, já que sempre vai ter alguém com mais tempo livre que você para se dedicar ao jogo. E como você não quer ficar para trás, o que vai fazer?

Outra coisa que torna os social games populares são sua acessibilidade. Você não precisa pagar nada para acessá-los, não precisa de um PC potente, simplesmente internet. Você entra nas redes de relacionamento, baixa os aplicativos (bem levinhos) que são necessários para que o jogo rode e voilà! Você está pronto para longas horas de “diversão”. Algo que também ajuda, é a maquiagem de serem apenas aplicativos de uma rede social. Você não é um nerd que fica jogando horas e horas de World of Warcraft, Second Life, Everquest, Guild Wars, etc. Você é membro de uma comunidade virtual que usa seu tempo livre se distraíndo com passatempos.

Eu jogo Farmville, e confesso que logo no Facebook várias vezes por dia. No começo eu era adepto somente desde jogo, porém, o fato de você precisar esperar suas plantações crescerem lhe dá intervalos de tempo em que você não tem simplesmente nada para fazer em sua fazenda. Isto abre espaço para outros social games. Em pouco tempo, eu já estava também no Fishville, Mafia Wars, Vampire Wars e Cafe World. Ia migrando de um jogo pra outro enquanto esperava os intervalos em que não se pode fazer mais nada a não ser esperar. Sem perceber eu já estava dedicando horas do meu dia a esses joguinhos aparentemente simples. Por sorte percebi a tempo que esta era uma combinação perigosa, e hoje só me dedico ao Farmville e Cafe World.

Um elemento presente também nos social games é o “reforço por razão progressiva”, já bem conhecido pela psicologia comportamental. Este sistema, bastante comum em MMORPG, faz com que o número de respostas do sujeito para conseguir a mesma recompensa, no caso subir de nível, aumente com o passar do tempo. Assim, o que o sujeito faz em poucos minutos no início do jogo, leva dias para conseguir mais adiante, o que faz com que ele jogue cada vez mais.

Outro ponto sobre os social games é a necessidade de programação. Por um lado é bom, pois lhe dar a oportunidade de praticar uma certa organização, mesmo que seja em função de um jogo. Por outro, caso algo dê errado e você não consiga acessar o jogo na hora programada você corre o risco de perder toda sua plantação, ou os pratos que estavam cozinhando. Confesso que passei alguns apertos tendo que voltar para casa correndo só para checar meus negócios. Numa dessas oportunidades tive a seguinte diálogo com uma amiga que também joga:

Ed: -Nossa Gi, vim pra casa num desespero achando que tinha perdido tudo.
Gi: -Você é louco de sair de casa!

Enfim, não estou aqui para falar condenar os social games. Afinal, eu também sou usuário. Minha intenção é somente levantar alguns pontos que acho pertinentes e dignos de atenção. Os jogos em si não são nocivos, isto vai depender de como você os utiliza. Então, fiquem atentos caso vocês acordem às duas da manhã preocupados em colher seus morangos, isto pode ser um mau sinal…rs

*MMORPG é uma sigla para Massive Multiplayer Online Role-Playing Game e refere-se a um jogo de interpretação de personagem, no caso um RPG, que é jogado online e em massa por múltiplos jogadores.

A pesquisa

A história da humanidade se confunde com a história da tecnologia. O estudo e desenvolvimento das técnicas não somente modificam nossas rotinas diárias, mas também nossas relações interpessoais, relações com Deus, e até formas de pensar. Atualmente, se pensarmos na influência das tecnologias em nossas vidas, pensamos no computador e na internet, que, juntos, possuem infinitas funcionalidades. Seus primeiros usos, que antes eram limitados somente à comunicação, agora se tornaram uma importante maneira de contato social. Entretanto, se partirmos da idéia de que o sujeito se constitui a partir de interações com outros, podemos analisar ambientes de redes de computadores não apenas como espaço de interação, mas como espaço de constituição do sujeito. Através dos computadores, temos acesso a experiências tão intensas e praticamente tão reais que nos permitem novas formas de ser. Neste plano de infinitas possibilidades, que é o ambiente virtual, o outro com o qual interage é construído pelo próprio sujeito, já que este tem a liberdade de ser o que deseja.

A cada dia, é mais comum a inserção de pessoas em ambientes virtuais, tornando difícil estudar a sociedade contemporânea sem levar em conta tal espaço. Temos assim um novo território para existir, e uma das maneiras de visitá-lo é através dos avatares . O avatar é parte do sujeito, é sua criação; é a maneira com a qual ele se apresenta no contexto virtual. Partindo destes pontos de vista, é possível entendermos alguns dos aspectos psicológicos da relação entre humano e máquina, mais especificamente a identificação que o sujeito faz com seus avatares.

No ultimo século, tivemos mais transformações tecnológicas que em toda história da humanidade.  As novas mudanças estão ocorrendo muito rapidamente e estão demandando novas habilidades do sujeito contemporâneo, que se revela fluido, móvel, múltiplo e sem fronteiras. Ele se aventura por mundos vastos e diferentes, repletos de opções. Veste identidades, se apresenta de diversas maneiras e, no processo, se mescla com suas próprias construções.

O virtual se mostra cada vez mais influente em nossa sociedade na medida em que as tecnologias digitais se disseminam. Apesar de ter estado presente há tempos, o virtual só recentemente começou a ser visto como território. Ainda temos muito que explorar, pois, assim como os oceanos e o espaço um dia nos convidaram a ser desbravados, o ambiente virtual agora se apresenta como desafio.

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Pois bem.

Este blog está nascendo de um tédio imenso e de uma falta do que fazer com algum tempo livre nas mãos.

Aqui pretendo trazer algumas discussões referentes às minhas pesquisas e leituras, e também trazer coisas que for encontrando pela net e julgar interessantes.

Por enquanto é um espaço não limitado, uma extensão da netnografia que tenho feito. Com o tempo talvez tome alguma forma, mas por hora serão recortes e reflexões.

Espero que saia algo de produtivo.

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